quarta-feira, 16 de outubro de 2024

O Primeiro Mestre


Encontrei um mestre que nada dizia. Ele sentava ao meu lado e olhava o horizonte, como quem já sabia de todas as respostas, mas não precisava pronunciá-las. O silêncio era o ensinamento, e o vento que passava nos contava o resto. 

Sentei ao lado do mestre, e por um tempo esperei que ele falasse. Mas ele nunca disse nada. Ficamos ali, lado a lado, apenas escutando o silêncio que nos envolvia. No começo, aquilo me incomodava — eu queria respostas, queria que ele me ensinasse, me guiasse. Mas, com o passar do tempo, percebi que o próprio silêncio era a resposta.

O rio fluía ao nosso lado, as árvores balançavam com o vento, e aos poucos eu fui entendendo: não há pressa. O aprendizado não vem das palavras que tanto desejamos, mas do espaço entre elas. O mestre, sem dizer nada, me mostrou que a verdadeira sabedoria está na observação, no silêncio, no estar presente. Nada mais precisava ser dito. Relaxei mais e percebi que as respostas estavam em mim, esperando para serem ouvidas. 

O Mestre me mostrou, de forma pacífica, que ficar quieto e ouvir coisas não ditas pode ajudar, e aceitar as coisas como elas são. Virei-me para agradecer ao mestre, mas ele já tinha ido embora. Não restou nada além do vento e da água fluindo. Mas o ensinamento ficou. Levantei-me, agradecido, e segui em frente, agora compreendendo que as maiores lições são silenciosas.

Paulo Ricardo D' Carvalho

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